::19/6/2010 => Desde 20 de junho de 2008, quando a Lei Seca entrou em vigor, 4.108 motoristas em Minas Gerais foram presos em flagrante por suspeita de alcoolismo na direção do veículo. Foram 457 entre junho e dezembro de 2008, 2.252 em 2009 e 1.181 entre janeiro e junho de 2010. Somente em Belo Horizonte, a Polícia Civil instaurou 1.273 processos administrativos contra bebuns no volante. Destes, 840, foram concluídos. Todos os infratores tiveram a carteira nacional de habilitação (CNH) suspensa ou cassada. O restante dos processos (433) ainda tramita no Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Os dados, divulgados nesta sexta-feira pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), mostram que, de 1º de janeiro a 19 de junho de 2008, a Polícia Militar registrou 174 acidentes de trânsito cuja causada presumida é a trágica parceria álcool e embriaguez. No segundo semestre daquele ano, a corporação registrou mais 243 ocorrências. Em 2009, outras 468. E em 2010, mais 208. Os acidentes também aumentaram nas estradas fiscalizadas pela PM.
A estatística da Seds permitiu à pasta elaborar o perfil dos infratores: a maioria é do sexo masculino (91,04%), tem entre 18 e 39 anos (66,95%) e bom nível de escolaridade – 21,32% concluíram o ensino superior. É o caso do médico ortopedista Felipe Ferreira Valle, de 30 anos. Em 16 de setembro de 2009, durante uma fuga da PM, ele dirigiu alguns quarteirões pela contramão e atropelou a diarista Luzia Fernandes Rodrigues, de 65, na Rua Coronel Pedro Jorge, Bairro Prado, Região Oeste. O rapaz foi preso em flagrante. Em 21 de janeiro, porém, conseguiu o direito de aguardar o julgamento em liberdade, pois é réu primário, tem bons antecedentes e residência fixa.
O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o médico ao Tribunal do Júri. Os advogados dele impetraram recurso para retirar o crime da competência dos jurados. Até hoje, os dois tribunais do Júri de BH jamais julgaram um condutor por morte causada por embriaguez no volante. O recurso do ortopedista ainda será analisado pelos desembargadores. Em depoimento à juíza Gislaine Mansour, Felipe admitiu que bebeu algumas cervejas com amigos, mas que não estava embriagado. O acidente ocorreu no início da manhã, quando o médico tentou fugir de uma abordagem conjunta da BHTrans e Polícia Militar na Praça Raul Soares.
Outro caso à espera de solução envolve o francês Olivier Rebellato, de 20. Em abril deste ano, ele bateu seu Captiva num Mercedes Classe A, ocupado por cinco jovens. O acidente, na Savassi, ganhou repercussão no estado. Seu passaporte chegou a ser apreendido pela polícia. Mas o rapaz, com sintomas de embriaguez, debochou da lei brasileira: “Estou no Brasil e aqui nada acontece”. Ele parece estar certo, pois, semanas depois, conseguiu o passaporte de volta e viajou para Paris, onde permanece até hoje. O acidente causado pelo europeu deixou a jovem Josiane Ramos, de 28, em estado vegetativo. Nesta sexta-feira, o Fórum Lafayette informou que o francês ainda não foi citado.
Fonte: Folha da manhã |